Se machucou? Trate a ferida com sangue de dragão

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Sangue de dragão, proteína de jacaré… Só falta asa de morcego para parecer uma receita típica de poção mágica – mas é uma área da ciência chamada de bioprospecção. Pesquisadores da Universidade George Washington estudam o sistema imunológico de bichos tentando encontrar substâncias que ajudem a saúde humana.

Foi assim que descobriram que sangue de dragão pode ser o novo Merthiolate. Não os fictícios filhos de Daenerys Targaryen, é claro (mas também estamos com saudades dela). O sangue que eles estudaram vem do dragão de komodo, um estranho lagarto que corre o risco de extinção.

Tudo começou com uma polêmica: ninguém sabe detalhes sobre como caçam esses animais exóticos. Uma das teorias é que a boca deles seria cheia de bactérias fatais, que matam a presa instantaneamente.

Essa parte ainda está em disputa, mas vamos ao que interessa: os cientistas criaram uma hipótese. Se os dragões tinham tanto “veneno” na boca, deveriam ter um sistema imunológico muito resistente a bactérias.

No sangue do bicho, retirado de um dragão de zoológico, eles encontraram uma série de compostos antibióticos. O mais promissor de todos, um peptídeo chamado VK25, eles tentaram recriar em laboratório.

A versão sintética ganhou o nome zoeiro de DRGN-1 (será que eles são amigos dos astrônomos que nomearam TRAPPIST-1?). Seja como for, o próximo passo foi testar essa substância em seres vivos.

Eles fizeram o experimento com ratos que tinham feridas na pele. Os machucados estavam infeccionados por duas bactérias: Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. Para piorar, esses micróbios estavam organizados em biofilme: uma camada de bactérias bem juntinhas que se torna impermeável a antibióticos.

Os ratinhos foram divididos em grupos: um foi tratado com a DRGN-1, outro com a VK25 original, e o terceiro com LL-37, um peptídeo que o corpo humano produz. O quarto grupo ficou com a tarefa de se curar sozinho.

Quatro dias depois da dose de proteína de dragão, os machucados do primeiro grupo já estavam bem menores que os demais. A contagem de bactérias também era mais baixa. Onze dias depois, tã-dã: o corte do grupo 1 já tinha desaparecido, enquanto os outros ratinhos ainda estavam em processo de cicatrização.

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